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segunda-feira, 21 de março de 2016

Vencedores do Concurso "Lê um poema...e ilustra-o!":




PRÉMIO:

PÉTALAS DE INFÂNCIA” - Poema retirado do livro: “Diário de Bruma”de Nelson Moniz

Apolo Coelho 4.º A

PÉTALAS DE INFÂNCIA

Um candeeiro de luz vazia
colhe pétalas de infância
onde o pó da cor do vinho
soprava de ruas desertas
em inconstante remoinho.

Mistura no ar
olhares cabisbaixos
onde crianças
em pequeninos passos
se equilibravam como balanças
rodeadas de puro silêncio
nas arestas das valetas.

Pudera acender o coração
daquela luz vazia,
e do bolor infante a vida respiraria
em puras asas de liberdade.





DIVERSIDADE” - Poema retirado do livro: “Ciência para meninos em poemas pequeninos” de Regina Gouveia

Nargiza Juraeva 4.º A

Diversidade

Era uma escola muito colorida
tão cheia de vida como nunca vi.
Aqui e ali meninos negrinhos
que vieram de Angola jogavam à bola
com outros meninos também africanos,
outros indianos, outros europeus
da Europa de Leste, do Norte e do Sul,
olhos de cor verde, castanha e azul.
Os cabelos eram dos mais variados:
encaracolados, claros e escuros, lisos,
esticados como aquele indiozinho
tupi – guarani e um coreano de seu nome Li,
que tinha uns olhinhos bem enviesados.
Havia um menino que era timorense,
outro guineense e imaginem só,
até existia um menino esquimó.
Um grupo bailava
e um outro cantava uma voz só
um vira, um tebe, um semba, uma morna,
uma marrabenta e até um forró.
Era aquela escola, como um arco-íris,
de múltiplas de cores.
Lembrava um canteiro repleto de flores.





DEDICADO À MINHA AVÓ” - Poema retirado do livro: “Pequenos gestos, Grandes corações”Histórias da Ajudaris' 12e Bruno Balegas (ex-aluno da nossa escola e do professor Nelson Moniz)

Leonor Clemente 4.º B

DEDICADO À MINHA AVÓ

Uma voz dizia-me:
-Há quanto tempo!?
Eu apercebi-me de que era uma voz muito novinha.
Noutro tempo , era a minha avó.
Eu escrevia na casa dela,
Onde sempre eu abria a porta,
E a voz de Deus falava comigo.
O lápis que eu usava dançava
Na minha imaginação.
Toda a família entrava e eu ouvia os passos.
O canto dos pássaros lembrava-me
Os cantos das galinhas da minha avó.
Lembro-me quando ela tinha força para gritar.
Ela ensinou-me a voar.
Todas as vozes na casa dela,
Para mim, eram um mistério.
Eu andava sempre à procura do mistério
E do sonho, mas nunca os encontrei.
As vozes altas naquela sala
São os muros que hoje tenho dificuldade em passar.
Estes passos que eu oiço são os tambores
Que a minha avó tocava todos os dias para mim.
O barulho dos livros eram asas que me ajudavam.
O barulho das blusas era o vento,
Porque quando eu ia apanhar laranjas,
Sentia o vento na minha face.
A voz alta que eu ouvia todos os dias,
Está hoje numa cama.
Eu, minha irmã, meu irmão e minha mãe
Íamos para o campo verde,
Onde eu sujava as camisolas todas.
As galinhas andavam sempre a cantar.
Os mexericos eram
Quando a minha avó e a minha mãe
Reviravam a casa toda.
Agora apercebi-me que os valores de hoje
Estão relacionados com o ontem.



ARANHA” - Poema retirado do livro: “O Gato do pêlo em pé” de Violeta Figueiredo

Ana Sofia Xu Lin 4.º A

Aranha

Essa peluda menina
escondida à esquina do tecto
só desce alta noite quando
todo o quarto está quieto.
Suspensa na sua teia
fica ao espelho balouçando,
repisando a mesma ideia:
«Meu Deus, serei linda ou feia?»




A POESIA” - Poema retirado do Jornal Escolar Porta Aberta n.º 16: Autora: Bruna Rodrigues /2015 - Aluna do Professor: Nelson Moniz


Roberto Seong 4.º B

A Poesia

Com uma luz cristalina começamos
a viagem com a poesia.
A viagem começa num barco.
Quando passamos por um sítio com esse barco
ele vai associar momentos da minha vida,
desde a primeira à última gota...
Eu normalmente ando nesse barco.
Não se paga bilhete.
Eu às vezes tenho sonhos muito estranhos
e agora estou a pensar que podia usá-los
em qualquer lugar.
Vou contar um segredo: o barco da poesia
não existe na realidade,
só existe no meu imaginário
e no de outras pessoas,
mas não sei bem de quem...
Este barco pode não existir
mas às vezes faz grandes percursos.
Eu gostava que mais gente
andasse nesse barco,
mas não posso fazer nada.
Este barco ajuda-me a pensar
e embarca muitas vezes
quando eu faço textos.
Adoro este barco e a poesia também.
Eu vou andar sempre neste barco.
Nunca o trocarei!



A FADA GIGANTE” - Poema retirado do livro: O menino que namorava paisagens e outros poemas” de Nuno Higino


Marta Mendinhos 2.º A


A fada gigante

Havia antigamente
um reino muito distante.
Não tinha rei nem rainha
a única coisa que tinha
era uma fada gigante
de olhos azul reluzente.

Quem nos seus olhos olhasse
fosse velho ou menino
ficava cego pra sempre
só de olhá-la de frente.
Não tinha outro destino
quem uma tal coisa ousasse.

E nesse reino solteiro
todos fitavam o chão
e dele nasciam rosas
e outras flores preciosas:
dos olhos ao coração
floriam o ano inteiro.

Uma primavera dura
sem ter o azul do céu
e a fresca luz da lua.
Pão dos olhos, só a rua
e a alma adoeceu
duma doença sem cura




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